Mal te
conheci, creio que foi o olhar terno, o sorriso cheio de luz que me cativou de
imediato. Depois, a forma harmoniosa com que proferias as palavras, o amor que
tinhas pela poesia, despertava sentimentos, inspirava, sensibilizava e
encantava quem tinha o privilégio de te ouvir ler ou declamar!
Não
necessitavas de elementos formais, nem métricas, nem de recursos literários,
para inspirar os ouvintes (crianças ou adultos…) pois transmitias a beleza
estética e sublime das palavras … abrias a porta, permitindo caminhar, navegar
e sonhar!
Durante a
nossa vida conhecemos várias pessoas. Pessoas que vêm e passam; pessoas que vêm
e ficam e deixam para sempre a marca no sótão da nossa memória e tu, sem
dúvida, pertences a esse último conjunto! Foste e serás sempre uma pessoa muito
especial que deixou a chancela (ou eu não fosse de História!) em todas as
atividades que realizaste na biblioteca e o teu timbre será para sempre
lembrado, pois vives no nosso coração! Tudo em nós é mortal, menos o espírito!
Como amavas
poesia dedico-te (dedicamos-te) este poema de Vergílio Ferreira:
“De vez em quando a eternidade sai do
teu interior e a contingência
substitui-a com o seu pânico. São os amigos e conhecidos
que vão
desaparecendo e deixam um vazio
irrespirável. Não é a sua “falta” que
falta, é o desmentido de que tu não morres”.
A nossa amizade nunca expira!
Até um dia…
Lígia Freitas, amigos e
colegas da DDJ









